Encontro com especialista do INCOR e cofundador do TransplantAR debate inovação em transporte de órgãos, formação médica e pesquisa científica
A Universidade Brasil e a UNIESP avaliaram novas frentes de cooperação com o projeto TransplantAR e com especialistas do Instituto do Coração (INCOR), incluindo inovação no transporte de órgãos para transplante cardíaco, criação de disciplinas acadêmicas e desenvolvimento de pesquisa científica aplicada.
Universidade Brasil discute inovação em transplantes cardíacos com especialista do INCOR
A Universidade Brasil e a UNIESP receberam, em sua sede, o médico Dr. Ronaldo Honorato, um dos principais especialistas em transplante cardíaco do país, integrante do departamento de transplante cardíaco do Instituto do Coração (INCOR) e cofundador do TransplantAR, iniciativa voltada à ampliação da captação e transporte de órgãos para transplante no Brasil.
A reunião reuniu lideranças acadêmicas e institucionais das duas instituições e teve como foco discutir caminhos para ampliar a cooperação em áreas estratégicas como inovação tecnológica em transplantes, formação médica, pesquisa científica e impacto social na saúde pública.
Participaram do encontro Dr. Fernando Costa, mantenedor da Universidade Brasil e da UNIESP; Profª. Cláudia Pereira, chanceler e mantenedora da Universidade Brasil e da UNIESP e reitora da UNIESP; Eduardo Batman Jr., pró reitor de graduação da Universidade Brasil; Murilo Mendes, diretor executivo da UNIESP; e Hugo Rosso, gerente de comunicação das duas instituições.
Apoio institucional que já contribui para salvar vidas
Logo no início do encontro, Dr. Ronaldo Honorato destacou o papel que a Universidade Brasil e a UNIESP já desempenham no apoio ao projeto TransplantAR. Segundo ele, a contribuição das instituições, especialmente por meio da doação de horas de voo para missões de captação e transporte de órgãos, tem sido fundamental para ampliar a capacidade logística das equipes médicas envolvidas nos transplantes.
Esse apoio tornou as instituições as maiores apoiadoras do TransplantAR, permitindo que equipes médicas consigam realizar captações em diferentes regiões do país e contribuindo diretamente para aumentar o número de transplantes realizados.
O TransplantAR atua justamente na articulação logística para transporte rápido de equipes médicas e órgãos, etapa crítica para o sucesso de transplantes cardíacos.
Logística ainda é um dos maiores desafios dos transplantes cardíacos
Durante a reunião, Dr. Ronaldo apresentou um panorama do cenário atual dos transplantes cardíacos no Brasil, comparando o sistema nacional com modelos observados nos Estados Unidos e na Europa.
Embora o país possua equipes médicas altamente qualificadas e centros hospitalares de excelência, um dos principais desafios ainda está relacionado à **logística de transporte e preservação de órgãos**.
Atualmente, o coração possui uma janela média de preservação de aproximadamente **quatro horas fora do corpo**, o que limita a distância entre o local de captação e o hospital onde será realizado o transplante. Essa limitação logística restringe significativamente o raio de captação e reduz o aproveitamento de órgãos disponíveis.
Tecnologias já adotadas em centros internacionais podem ampliar esse tempo de preservação para **até oito horas**, dobrando a janela atual e permitindo que equipes médicas realizem captações em regiões mais distantes.
Segundo Dr. Ronaldo, a adoção dessas tecnologias pode representar um avanço importante para a logística dos transplantes cardíacos no Brasil.
O que é o SherpaPak
O SherpaPak é um sistema avançado de preservação e transporte de corações utilizado em diversos centros internacionais de transplante.
Desenvolvido pela empresa Paragonix Technologies, o dispositivo mantém o órgão em condições ideais de temperatura e estabilidade durante o transporte, reduzindo riscos de deterioração e ampliando o tempo seguro de preservação.
Entre os principais benefícios da tecnologia estão:
- maior estabilidade térmica do órgão
- redução de variações de temperatura durante o transporte
- aumento do tempo seguro de preservação do coração
- possibilidade de captação de órgãos em regiões mais distantes
A adoção desse tipo de tecnologia pode ampliar significativamente o número de transplantes realizados, ao aumentar o aproveitamento de órgãos disponíveis.
Formação médica em transplantes ainda é rara no Brasil
Outro ponto central da discussão foi o papel que as instituições de ensino superior podem desempenhar no fortalecimento dessa área da medicina. Dr. Ronaldo destacou que, apesar da relevância dos transplantes para a medicina moderna, ainda são poucas as universidades brasileiras que possuem disciplinas estruturadas dedicadas ao tema dentro dos cursos de Medicina, mesmo em formato optativo.
A proposta discutida na reunião envolve a criação de uma frente acadêmica dedicada aos transplantes, com o desenvolvimento de disciplinas eletivas, programas de formação complementar, ligas acadêmicas e atividades estruturadas que permitam aos estudantes compreender, de forma técnica e científica, os aspectos clínicos, logísticos e éticos envolvidos nesse tipo de procedimento.
A iniciativa poderá envolver estudantes dos cursos de Medicina da Universidade Brasil, nos campi de Fernandópolis e São Paulo, além da Faculdade de Guarulhos (FAG) e das Faculdades Integradas Rui Barbosa, em Andradina.
Segundo Dr. Ronaldo, o desenvolvimento de uma frente acadêmica estruturada pode proporcionar aos estudantes uma formação diferenciada e alinhada às demandas contemporâneas da medicina. Para ele, no entanto, essa formação precisa ser construída com rigor técnico e cuidado pedagógico.
A proposta não é apenas aproximar estudantes da prática médica, mas transformar essa experiência em um processo formativo sólido, integrando ensino, pesquisa e vivência clínica.
Pesquisa científica e inovação aplicada
Além da dimensão educacional, a parceria também pode abrir caminho para a construção de projetos de pesquisa científica aplicada envolvendo as instituições acadêmicas, o INCOR e o TransplantAR.
Entre as possibilidades discutidas estão estudos sobre a viabilidade e o impacto das novas tecnologias de preservação de órgãos, participação de estudantes na análise de dados clínicos e estatísticos, produção de artigos científicos e apresentação de pesquisas em congressos nacionais e internacionais.
Essa colaboração pode fortalecer a produção científica das instituições e ampliar a participação de estudantes em projetos de pesquisa com impacto direto na prática médica.
Um projeto com potencial de impacto internacional
Nesse contexto, a Universidade Brasil e a UNIESP avaliam a ampliação dessa colaboração como uma oportunidade estratégica para fortalecer sua atuação em iniciativas de alto impacto na área da saúde. A proposta discutida durante o encontro aponta para a possibilidade de participação institucional em um projeto com potencial pioneiro na América Latina, capaz de integrar universidade, medicina, tecnologia, logística aérea e impacto social em uma agenda voltada à ampliação dos transplantes cardíacos no país.
Ao explorar essa frente de cooperação, as instituições buscam contribuir para o desenvolvimento de soluções que possam aprimorar a logística de transplantes, ampliar o acesso de pacientes a procedimentos de alta complexidade e fortalecer a interface entre ensino superior, pesquisa científica e prática médica.
Durante a reunião, Dr. Fernando Costa e a Profª. Cláudia Pereira manifestaram o interesse das instituições em aprofundar essa parceria, avaliando possibilidades concretas de colaboração nas áreas de inovação tecnológica, formação acadêmica e desenvolvimento de projetos de pesquisa científica.
A iniciativa reforça o compromisso da Universidade Brasil e da UNIESP com a produção de conhecimento, a formação de profissionais de excelência e a construção de soluções capazes de gerar impacto real na saúde e na sociedade.





